Depois do sono


Longe de ser bela adormecida, mas por quanto tempo eu dormi? 

Parece que todas as paredes estão empoeiradas e com teias de aranha. O estranho é que esse não é mais um problema... A leveza desse pensamento é espantosa. 
Tenho uma rotina cheia agora, tentando encaixar coisas nas brechas de tempo. E isso também não é um problema. Sempre gostei de rotinas, ainda mais as que acrescentam a quem eu sou. Que me ensinam todos os dias. 
O número de tatuagens aumentou, e no andar dessa carruagem bonita e reluzente, não temos mais metas. O cabelo cresceu – milagre – e tem um monte de cores novas. Assim como eu. Assim como a vida que eu resolvi me dar. Porque eu me dei essa nova vida de presente, um presente difícil de aceitar e que aos poucos se fez tão diferente e agradável. Paz. Sinto paz como há muito tempo não sentia. Mesmo que acorde cedo para caminhar, mesmo que tenha preguiça quando o gato de espreguiça no pé da cama. Eu até consegui não matar uma violeta, e ela está florida há dias, cada dia mais aberta, como se quisesse saber o que se passa dentro do meu quarto. Quarto. Esse tem me visto pouco acordada, mas está de um jeito bonitinho, organizado e funcional. 
Não tem muito movimento agora, mas o barulhinho do motor é incessante, quase musical. Acho que acabarei me acostumando a ele, e à música e às pessoas. 
Tivemos chuva há um tempo, agora vivo bem com esse sol amarelecido de inverno. Tivemos alguns enterros, algumas lágrimas e teremos muito o que fazer. Também tivemos uma quantidade anormal de abraços e de reconhecimentos. Parece que cheguei a um estágio esquisito na vida, talvez adulta. Não quero pensar exatamente nisso, é como uma crise de idade por ano, mas pelo menos em 2018, até agora, gosto de quem eu sou e gosto dos novos ares do castelo. 

Como estão as coisas por ai?



Fonte (arte) Diana Pedott

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